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HELIODORO FRESCATA |
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O Dr. Heliodoro Frescata, pertencia ao grupo dos homens que, silenciosamente e à sua maneira, remavam contra a situação vigente, nas décadas de 40, 50, 60 e 70. Foi professor e explicador das disciplinas de História, Geografia, Organização Política e Filosofia, procurando formar homens íntegros, numa sociedade justa e plurirracial, não se detendo em denunciar alguns disparates da História de Portugal, antiga e moderna. Por diversas vezes teve, nas suas aulas, a assistência indesejada de elementos da polícia política de então, devido ao facto de ter sido apontado como "demasiado liberal" e utilizar métodos e técnicas de ensino, fora do vulgar, na época. Esteve preso, algumas vezes, acusado de ter ideias progressistas, de esquerda, e costumava dizer, brincando, que: "O Carmona inaugurava as cadeias; mas, era ele quem as estreava"! Durante os 16 anos que leccionou em Moçambique sempre contou com a estima, admiração e respeito dos seus alunos. Para eles tinha sempre um estímulo e uma palavra amiga e encorajadora quando era abordado na rua, independentemente de, nessa época, existir um grande "distanciamento" entre professores e alunos. |
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HELIODORO SEBASTIÃO FRESCATA nasceu em Setúbal, em 31 de Maio de 1910 e faleceu, em Lisboa, com 98 anos de idade, em 21 de Junho de 2008. Era filho de José Sebastião Frescata e de Teresa de Jesus Frescata, de quem teve mais 9 irmãos: Lucília, Georgina, América, Joaquim, Edmundo, Álvaro, Eduardo, Ludgero e Briolanja. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, em 19 de Julho de 1949. Partiu para Angola, acompanhado por sua esposa, por ter sido nomeado Chefe da
Repartição dos Serviços Geográficos Cadastrais, de Luanda, cargo que nunca viria a ocupar devido à chegada de um telegrama, de Lisboa,
assinado pelo subsecretário de Estado da Educação, Baltazar Leite Rebelo de
Sousa que, acusando-o de “ter ideias subversivas” lhe veda o acesso ao cargo para que fora nomeado em Diário da República. |
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Consegue a direcção de um importante jornal local, tendo experimentado o fracasso de o ver suspenso por três dias, após a publicação de um artigo de fundo seu. Este acontecimento viria a despoletar o início da sua actividade docente, como professor eventual, no Liceu Salvador Correia, onde, por diversas vezes, recebeu ordenados com atrasos de mais de seis meses. Em 1958, as suas ideias políticas colam-se às do projecto eleitoral independente do General Humberto Delgado, quando a União Nacional apresenta o Almirante Américo Thomaz para substituir o General Craveiro Lopes, no cargo de Presidente da República. Esta tomada de posição valeu-lhe ser expulso da docência, em 1959, tendo optado pelo ensino particular. Era casado, em primeiras núpcias, com Genoveva do Espírito Santo Frescata, de quem viria a enviuvar, após doença prolongada, em Março de 1960, em Luanda. |
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De acordo com José Frescata, sobrinho do professor, ele era um homem culto, calmo no falar e nunca se exaltava, sendo estimado por toda a gente, alunos e colegas de profissão: «Quando chegou à Beira, vindo de Luanda, já era um professor experiente. A viuvez, porém, tinha-o deixado muito abalado. Cedo, as suas ideias políticas, o iriam marcar; no entanto nunca "vestiu a camisola" de nenhum partido. Mantinha-se independente, embora com evidentes ideais socialistas. De improvisação fácil e fluida, muitas vezes teve audiências inesperadas nos mais diversos locais onde, com familiares ou amigos, falava sobre a situação; sentindo, por diversas vezes, o "peso" do antigo regime». |
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Nos últimos anos de sua vida, o venerado professor, sentiu alguma dificuldade em aceitar o agravamento das limitações físicas decorrentes da sua avançada idade, acabando por depender totalmente, do apoio inestimável de sua extremosa e dedicada esposa Marília. De vez em quando, o seu olhar imobilizava-se no tempo e no espaço, como que num esforço derradeiro para relembrar os dias de felicidade, vividos, IN ILLO TEMPORE, como costumava dizer, na companhia dos seus alunos, colegas e amigos, nas longínquas terras africanas. Vivaldo Quaresma |
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